24 de jul de 2017

ORÁCULO


Que se quase começassem os dias a cumprir suas missões
onde estariam suas medidas e onde começariam as saídas

Assim quando se como deixassem aos outros perdidos alguma breve esperança
daquela desproporcionada hora que se prolongada ou tardia
haveria de despetalar-se ao chocar-se em nossas fúrias

Que se enquanto demorassem as horas a despedida protelada
onde seriam guardadas essas vagas memórias de posse

Pois quero que se me caiam seus olhos absurdos
que se me lambam seus dedos úmidos
que se me prendam seus dentes macios
que se me movam seus dedos trêmulos
que se me levem seus braços abstratos.


Tárcio Oliveira/ Tuparetama-PE
24/07/2017

31 de mai de 2017

QUADRANTE 1

[imagem daqui]


Milagre da chuva é choro
Lágrimo pranto de circunstâncias
Deveria ter sido ontem não-deus
Deu de cair hoje, adeusoro

26 de mar de 2017

RE-VERSÃO


Respeita tua vontade
criança correndo ladeira abaixo.
Respira a poeira azul do firmamento
sobre teus cabelos ralos.

Destemida despedida
de um velho homem que já não cabe mais
em teu  [novo] formato remoldado.

Oito beijos três abraços líquidas lágrimas e alguns suspiros depois
tudo indevidamente recontado.
Sede dançando sem pudor
podes agora, embora pudesses antes e nem sabias:

paternar a menina sem namorado
seduzir o amigo tenso em teus mamilos
retelhar a casa sem paredes.

Retrata o caminho ainda por traçar
tudo se foi,
tudo há de se renovar,
tudo novamente
mas diferente: tudo é por vir.



11 de mar de 2017

AGUARDANDO


Enternecida hora intervém
entre as diferenças. 
Assomam-se doidas insolentes 
metas.

À essas recorrentes dualidades
socorre algoz desesperança
por sua vez.

Bastaria que à hora propícia
pudéssemos entender o (re)início 
definitivo de qualquer tempo.
-

março 2017

[ imagem daqui ]

AFIRMAÇÃO


7 de fev de 2014

ANOTAÇÕES PARA UM FUTURO POEMA DE VENCEDOR


À sombra do quilômetro 100 da estrada
repousa o viajante. Estrelas ocultas pela luz do sol
observam  seu discípulo cansado.
Nem brisa ou  água,  nem perfume
consolam seu peito recolhido entre
dois braços desarmados pelo excesso de servir.
Seus lábios tocam as palavras do mormaço como uma carta escrita às pressas.
Algumas lágrimas brincam como crianças inconsequentes
entre seus olhos dormentes e o nariz indomado pelo pó dos dias.
[...]
Adiante o leito em pedra da estrada desdobra-se até um infinito visível. E só...
A certeza da noite é o que levanta-o.
[...]
Eis de volta, à estrada o viajante, porque assim é. De Ser.

06.02.2014