17 de nov de 2010

ASMA


Todas as coisas "ao mesmo tempo agora" minha cabeça quer explodir
meus olhos ardem de sono
meu corpo de fome
meu peito de saudade...
respiro fundo como um afogado que quer aprender a nadar – e salvar-se-
na última hora. Mas cai, caio, caio....
cadê a mão que não encontro ao meu lado
para me puxar acima da correnteza e me levar para a margem?

Estou sem ar
meu fôlego é o tempo e ele está cada vez mais curto!
24 horas apenas? Asfixia braba!
Quero um balão de oxigênio: +tempo+tempo+tempo+tempo....

Meu pensamento rodopia acelerado,
entra e sai de mil corredores dentro da minha cabeça.
Eu quero um travesseiro,
eu preciso de um cafuné,
eu estou cansado demais para acordar amanhã tão cedo...
Meus ossos pedem rede,
minha boca pede leite,
meus desejos pedem um dono.

Por que você não vem me buscar agora?

Vamos fugir, eu preciso fazer alguma coisa irresponsável.
Minha tia dizia: “cabeça vazia, oficina do diabo”
Nada, tia, cabeça cheia é que é um parque de diversão do demo.
Coração vazio, isso sim, oficina do diabo,
o diabo a quatro fazendo da gente gato, sapato e pão azedo.

Minha pessoa quer explodir.
Saiam da frente, depois de amanhã não respondo mais por mim.
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[Tuparetama - abril de 2004]
imagem DAQUI
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Um comentário:

  1. -Ho meu querido... É uma poesia tocante, emociona, encanta e ao mesmo tempo entristece. Quem não se reconhece ante a este poema? É bom ver esse seu lado tão transparentemente pessoal através de seus versos, surge então um Tárcio que não se vê (ou se percebe) com facilidade mas que se revela em poesia.

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