23 de mai de 2011

DE APRESENTAÇÃO

Sou um duplo que procura
Outro duplo outra sombra
Outra molécula uma estrutura

Espalha comigo criatura
Flores que fiquem como pés caminhando

Sou duplo e busco e esse pensamento estranho
Dentro de mim como sangue em movimento

Colhamos sinas criatura sintomas
De solidão e toques de carne acesa
Comigo!

Sou um estranho dividendo duplo confisco
Quanto chumbo cabe em ti cabe em mim
Molda-me duplo de nós

Guardemos desejos companheiros desejos
De companhia
Guardados melhores estarão que acompanhando-nos

Sou duplo, um ‘ninguém no plural’
Outro susto esta certeza
Uma palavra constante um silêncio.

(17.01.92)
imagem DAQUI
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3 de mai de 2011

MÉDIA


Dança solitária da palavra certa na sala tumultuada dessa aldeia.

Tendo ouvidos dormentes para algumas sílabas tão necessárias outras ecoam firmes em coro.

São elas as células do discurso dourado que pedimos para adorar, crentes
rodopiando entre caos e rotas traçadas no tapete da tumultuada sala.

E a palavra certa sem brilho falso sem marca de identificação sem guia prévio
dança solitária e desapercebida deles todos.


[]

2 de mai de 2011

PAIXÃO SECRETA

No terreiro de tua casa plantei
meus passos dados.
Ali, entre aquelas duas pedras
deixei-os sonhando.

E elas, as pedras, sorrindo,
zombando, como fazes tu
todas as vezes que vindo, meus pés intimidados
desejando te alcançar, fogem ficando.

Para não ter que ir, mas sem querer ficar,
permaneço agora, ainda aqui
embora noutro lugar.

E sob o afago máximo de tu/as pedras
meus passos dormem
por ter esperar... vais, vens, vais
sem me adivinhar.


Tuparetama, maio de 2011