25 de jan de 2014

BURACO NEGRO



Num tempo determinado seremos conduzidos
qual dúzias de cordas de apertar.
E embora nem somente a isso reduzidos
no espaço lançados,  faremos despertar   

a demanda de feixes na paveia dispersa.
E sendo mais a força do nó que a corda
no tempo universo da confusão imersa
reataremos a primeira ordem à borda.

Lançados puxados trançados atados
em missão sublimada antes do derradeiro
e absoluto nada!

O nada absoluto
tecido entre a busca do sentido verdadeiro
no emaranhado de presentes e passados.

24.01.2014

24 de jan de 2014

POESIA NÃO É PRA QUALQUER UM




Um dia eu disse ao meu avô que pensava em ser poeta.
Meu avô era um homem prático e me olhou desalentado.
Achei que ia dizer que eu não sabia fazer poesia.
Mas ele me perguntou como eu ia fazer para sustentar a família.
Meu avô me fez desistir da carreira de poeta antes dos meus primeiros versos sérios serem criados.
Desde então nunca mais pensei em fazer poemas.
Um dia eu disse ao meu avô que eu desistira de ser poeta.
Mas disse também que ainda alguma coisa morava em meu querer. Poesia?
Meu avô se riu, se riu.
Deixe de besteira,  e me deu um tapa, poesia só existe em cabeça de doido.
Aí eu resolvi não enlouquecer.  Virei gente. Desisti da poesia. 

24.01.2014